#NutaxNaB3 – Você sabe o que é o CAPITAL EMPREGADO em tributos?

setembro 14, 2021

#NutaxNaB3 é a nova série da Nutax onde traremos análises da carga tributária de companhias de capital aberto e transmitiremos conceitos importantes de gestão de impostos, a partir indicadores de performance que podemos encontrar nas demonstrações financeiras e demais relatórios publicados pelas maiores empresas do Brasil.

TEMA 1: Você sabe o que é o CAPITAL EMPREGADO em tributos?

Para compreender os primeiros resultados no levantamento Nutax na B3 é fundamental conhecermos o conceito de Capital Empregado de tributos.

 

Em condições normais, todo negócio tem como objetivo a geração líquida de caixa. Um negócio gera caixa quando consegue receber receitas em valor maior do que o caixa consumido para obter tais receitas.

 

Com os tributos, não é diferente. Os tributos “consomem” caixa na forma de créditos sobre a compra de um insumo, mercadoria, serviço ou bem. Isso porque, no preço pago nessa compra, estão embutidos os tributos cobrados pelo fornecedor. E os tributos “geram caixa” quando são recebidos no preço cobrado de seus clientes nas vendas brutas.

 

CAPITAL EMPREGADO em tributos

Assim, o ciclo natural dos fluxos de um negócio lucrativo e gerador de caixa pressupõe que a empresa apresentará ao final de um período de apuração um “saldo a pagar” de tributos ao invés de um “saldo a recuperar”. Isso significará que a empresa consegue administrar seus fluxos de caixa sem sofrer os impactos negativos dos “créditos fiscais acumulados”.

 

Os CAPITAL EMPREGADO de tributos de uma empresa acabam podem prejudicar a geração de caixa do negócio, quando os “créditos fiscais a recuperar” no final de um período são maiores do que os “tributos a pagar”. Isso pode significar que a empresa antecipou caixa ao governo na forma de tributos recolhidos por seu fornecedor, e tem dificuldade de repassá-los na cadeia.

 

Isso tudo se reflete na geração operacional de caixa e consequente no “valor da empresa” e nos retornos para o investidor.

 

Na maioria das vezes, empresas que conseguem compreender a importância dos fluxos de caixa de tributos, estabelecem processos para analisar seus resultados e compreender as condições que os favorecem e as que os prejudicam. Cada vez mais empresas de referência vêm compreendendo a importância desse aspecto na gestão de negócios no Brasil, e vêm adotando as estratégias disponíveis para sobreviver e ter sucesso por aqui.

 

Em 2020 as companhias de capital aberto do subsetor de Alimentos Processados, que inclui JBS3, BRF3, RAIZ4 e MDIA3, encerraram o ano com um saldo de tributos indiretos a recuperar de R$ 14,6 bilhões. Quando somados os tributos sobre o consumo e os tributos sobre a renda, o saldo é ainda maior, de R$ 20,8 bilhões.

 

Isso reflete a realidade da complexa e cruel legislação tributária brasileira. Setores supostamente beneficiados pela essencialidade de seu negócio, mas que, na verdade, sofrem com fluxo de caixa negativos decorrentes do pagamento de tributos de difícil recuperação.

 

É curioso notar que os créditos de tributos tendem a se acumular nas empresas de alimentos, ou seja, em quem processou o produto da atividade agropecuária, o que poderia ser um reflexo de uma suposta exoneração na produção do campo, com reflexo nos balanços das empresas integrantes da etapa seguinte na cadeia produtiva.

 

a prática, parte do caixa gerado pelas operações dessas empresas é consumido pela dinâmica perversa de tributos como o PIS/COFINS e o ICMS. Esse contexto tende a resultar em necessidade de endividamento e maiores despesas financeiras, que são arcadas em parte pelos acionistas e em parte pelos consumidores.

 

Além dos tributos sobre a cadeia de consumo, o fluxo de caixa operacional de uma companhia é afetado pelos pagamentos antecipados ou compensações de créditos dos tributos sobre a renda (IRPJ e CSLL). Em empresas que apresentam lucro, as antecipações/compensações desses tributos podem melhorar ou piorar o CAPITAL EMPREGADO de tributos. A legislação brasileira dispõe de uma série de alternativas baseadas em opções do contribuinte que podem resultar em uma melhor performance de caixa (ou menos ruim) para esses tributos, e consequente para o negócio.

 

O levantamento Nutax na B3 mostra como os indicadores de performance podem apresentar resultados variados para cada empresa e segmento de negócio. Eles permitem aos executivos, analistas e investidores associarem mais ampliarem sua visão dos fundamentos de uma empresa, com base em seus dados públicos.

 

Conheça a metodologia utilizada em nosso levantamento (clique aqui) e acompanhe semanalmente em nosso blog e em nossas redes sociais, todas as análises deste levantamento inédito sobre a gestão tributária e fluxos de caixa realizado pelos experts em gestão de impostos da Nutax.

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